segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Mais Maria do que Zé - Campos de Jordão

Mais Maria do que Zé é atração deste sábado
Programação contará ainda com o espetáculo A Bruxinha Atrapalhada, no domingo
Sexteto apresenta o melhor da música nacional
Abrindo o calendário de atrações do mês de outubro, o Auditório Cláudio Santoro recebe neste final semana cultural o grupo musical “Mais Maria do que Zé” e o espetáculo infantil “A Bruxinha Atrapalhada”.No sábado, 03/10, sobe ao palco o grupo Mais Maria do que Zé, que trará repertório toda a nuance musical do Brasil, passando pelo xote, baião, forró, galope, samba, forró pé-de-serra, gafieira e o clássico chorinho.
Através de composições de Sivuca, Luiz Gonzaga, Alceu Valença, Gilberto Gil, Jackson do Pandeiro, Dominguinhos, Lenine, Antônio Barros, Cecéu, Hermeto Pascoal, Josias Sobrinho, Raquel Altério e Elisa Lucinda. O sexteto é formado Anamaria Leme (voz principal), Carla Arnoni (teclado, vocal), Giselda Magno (baixo, vocal), Ana Eliza Colomar (flauta, vocal), Cássia Maria (percussão, vocal) e Rogério Bastos (bateria), com participação do boneco Zé Mamulengo.Nesses mais de dez anos de jornada, já dividiram o palco com grandes nomes da nossa música como Cordel do Fogo Encantado, Alceu Valença, Dominguinhos, Oswaldinho do Acordeon, Otto, Elba Ramalho, Zé Rodrix, Sá e Guarabira, entre outros, em diversos eventos como Virada Cultural do Estado (2009), Tributo a Luiz Gonzaga (2009) - no vale do Anhangabaú, São Paulo, ambos produzidos pela Secretaria Estadual da Cultura em parceria com a Prefeitura de São Paulo.O nome surgiu de uma lenda que... “Pelas terras do sertão nordestino, as Marias acompanhadas apenas de seus instrumentos musicais vagavam às sombras da solidão, até se encontrarem perto de Zoazeiro, Gilosina e Xeque-Xeque, onde riscaram o chão com o fogo dos acordes, melodias e ritmo, arrastando consigo multidão e levantando poeira por onde passavam, até encontrarem uma mala com o Zé, um homem meio boneco de mamulengo, levando pelas estradas fazendo um forró onde há Mais Maria do que Zé”Mais Maria do que Zé se apresenta às 21h, com ingresso à venda no local, no valor de R$ 5,00 (inteira) e R$ 2,50 (meia).

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Com a palavra Bruno Batista

Não vou tirar meu chapéu pra qualquer vagabundo *

Que o Egito Antigo foi uma das civilizações mais prodigiosas para a humanidade, disso não discorda ninguém. Curioso mesmo é constatar que, após milênios de evolução e escavações, após o escrutínio de arqueólogos e historiadores, o seu grande legado seja, talvez, o mais banal. Que me perdoe a Pirâmide de Quéops, o Templo de Karnak, as suntuosas esfinges e até os bacanais de Cleópatra mas, o que realmente fez a cabeça de homens e mulheres durante o ido dos tempos foi, sem o perdão do trocadilho, o chapéu.

Surgido por volta de 4000 a.C na terra dos faraós, o chapéu (ou como prevê o seu latim de origem “cappa”, peça para cobrir a cabeça) sobrevive a praticamente todos os momentos históricos. Seja nas coroas de reis e rainhas, nos elmos dos guerreiros, nas mitras papais, seja cobrindo a moleira de cangaceiros ou adornando socialites nas tardes de turfe, o fato é que esse adereço parece nunca sair de moda. E mais: se deixarem, ele vira o rei do pomar.

É o caso, por exemplo, do séc. XX que teve em Carlitos e sua indefectível cartola seu primeiro rosto. Depois veio a Grande Guerra e, com ela, o farfalhar dos quepes de soldados e bonezinhos de marinheiros (cada vez mais sós...). Então surgiu John Wayne e a era do faroeste, os capacetes dos astronautas da Apolo 11, heróis de HQs como Zorro e The Spirit, até chegar a ícones da música pop como Michael Jackson e The Edge. Entra década, sai década, e lá está ele, onipresente, atrevido, como um astro que não se contenta com a platéia e reinvidica seu lugar na ribalta da história.

Hoje em dia, no Brasil, chapéus de todos os matizes, formatos e cores povoam as ruas da Lapa no Rio de Janeiro, as baladas de São Paulo e, em São Luís, também dão as caras. Há para todos os gostos e necessidades. Há quem use como mero enfeite, outros pra disfarçar a ação do tempo, e há ainda aqueles que, mal orientados, usam pra tentar esconder, digamos, um constrangimento pessoal (pobres coitados, esquecem-se que são pontiagudas as marcas da traição...). Seja como for, quem usa sabe: o chapéu é um companheiro. É como um cigarro que não termina, uma cachaça que não embriaga e bem melhor que amigo fura-olho. E, salvo pra aquela deliciosa morena de cabelos cor de mel, chapéu não se tira pra seu ninguém. Assim mesmo, como já dizia o mestre Josias...

Nota: *Título extraído da canção Terra de Noel, de Josias Sobrinho

domingo, 20 de setembro de 2009

Uma sexta de prima

Sexta-feira, 17 de setembro de 2009, 19 e 30, Sai meio que aguniado com o fato de ter cumprir um dever de casa, meio que a contragosto, confesso sinceramente que não tenho verdadeira simpatia por canto lirico apesar de reconhecer aí uma arte de quinta grandeza, mas lá fui eu e cia pru taa assistir o concerto premiação encerramento do 13 maracanto. sai de lá de cabeça baixa. que coisa sublime o canto. cantar é pra quem sabe. as vezes penso que minha razão missionária de mim não seja mais que trabalhar diuturno pra avizinhar algo que se pareça com uma minima possibilidade concebivel de expressão cantada. Bravo!

sábado, 27 de junho de 2009

Editais Cultura

Programa de Intercâmbio e Difusão Cultural - Edital nº 2/2009

Para viagens em setembro, inscrições até 30 de junho

Prêmio Luso-Brasileiro de Dramaturgia

Inscrições até 26 de junho

Programa de Extensão Universitária - PROEXT/2009

Inscrições até 3 de julho

Edital BRGAMES - Programa de Fomento à Produção e Exportação do Jogo Eletrônico Brasileiro

Inscrições até 25 de junho

EDITAL DE SELEÇÃO PARA PONTOS DE CULTURA DO ESTADO DE SÃO PAULO

Inscrição até 24 de agosto

Edital Microprojetos Mais Cultura Minas Gerais

Inscrições até 7 de agosto

Prêmio Funarte Artes Cênicas na Rua 2009

Inscrições até 7 de agosto

Edital de Seleção de Pontos de Cultura em Mato Grosso

Inscrições até 10 de julho

Prêmio Funarte Carequinha de Estímulo ao Circo

Inscrições prorrogadas até 10 de julho

Edital Prêmio Cultural Loucos pela Diversidade

Inscrições até 13 de julho

Edital Arte e Patrimônio 2009

Inscrições até 10 de julho

Prêmio Adicional de Renda 2009

Inscrições até 13 de julho

Programa Memória do Mundo da UNESCO - MOW

Inscrições até 30 de junho

Prêmio Viva Leitura 2009

Inscrições até 24 de julho

domingo, 5 de abril de 2009

São João da Maranhensidade 2008


Documentário realizado pela Secma, homenageando Mestre Apolônio, amo do Boi da Floresta

domingo, 30 de novembro de 2008

ZECA: O Homem-bomba
Por Ivandro Coelho

Cheguei em casa hoje muito cansado. Mas ainda deu tempo de assistir o programa do Jô Soares - sim, leitor, eu assisto o Jô. Por que não? E sabe quem estava lá? Zeca Baleiro, divulgando o novo CD: “O coração do homem-bomba”.

Zeca abriu o programa cantando um dos sucessos do disco, cujo refrão é mais ou menos assim: “Você não liga pra mim, mas eu ligo. Você nunca fica só, o celular é o seu melhor amigo”. Ele estava acompanhado da banda, que agora conta com uma novidade: os metais. Ficou ótimo.

O maranhense continua eclético. Experimentalista. Passeia com facilidade por ritmos diferentes como o samba, o ska e o rock. Mas o barato do disco é a canção “Toca Raul”, que ele fez em homenagem ao eterno maluco beleza do rock brasileiro: Raul Seixas.

Ao ver Baleiro cantando ontem, lembrei do tempo em que o conheci. Na época, tinha acabado de chegar do interior. Fui para São Luís estudar e, como diria Raulzito, ainda era “inocente, puro e besta”. Mas como sabia tocar violão, logo fiz amizade com Josias Sobrinho - cantor e compositor maranhense dos bons. E ainda por cima amigo de Zeca.

Josias se tornou uma espécie de meu guru musical. Era ele quem me apresentava a outros artistas, levava para shows e me metia em rodas de poetas e intelectuais da Ilha. E foi assim que acabei arranjando um contrato num bar alternativo chamado “Chaplin”, no bairro da Cohama.

Lá era o point de boêmios, universitários, malucos, intelectuais e alguns porras-loucas. Eu tocava na terça, Zeca na quinta e Josias Sobrinho na sexta, que era o melhor dia. Josias era a estrela, por isso tinha esse privilégio.

Lembro-me como se fosse hoje: Zeca cantando naquele barzinho, voz e violão, acompanhado apenas de uma caixinha amplificada. No entanto, mesmo naquela época, Baleiro já trazia consigo o germe do grande artista em que se transformaria alguns anos depois. Por isso só tocava suas próprias músicas.

Foi lá que ouvi pela primeira vez os versos de “A flor da pele”, canção imortalizada na voz de Gal Costa (ouça logo abaixo). O “Chaplin” era um bar minúsculo e dava pouca gente dia de quinta. Mas Zeca nem ligava para isso. O importante era mostrar o trabalho. Já era, portanto, um artista profisional.

Agora o vejo de novo na TV, mostrando mais um trabalho em dois volumes. Fico feliz com isso. Espero que o coração do homem-bomba Zeca Baleiro continue explodindo e que seus estilhaços poéticos atinjam cada vez mais pessoas de diferentes lugares. Quem sabe assim a gente se sinta “menos pó, menos pozinho” nesse "mundo cão".

Segunda-feira, 17 de Novembro de 2008
CEUMARAVIA, CEUMARAVIÁ!*
(anotações sobre o show de Ceumar, sexta-feira, 14, no Espaço Armazém, por Zema Ribeiro)

O trânsito não estava fácil. Trânsito caótico é dessas coisas ruins de cidade grande que São Luís já tem. Forquilha. Um estúdio e uma cópia do disco de Gildomar Marinho. A estréia que está sendo gravada. Olho de Boi, finalmente, moçada!

Baixei as faixas num computador e me mandei pro Espaço Armazém. Havia marcado com Ceumar na passagem de som. Na porta, encontro Gilberto Mineiro. Lá dentro já estava Luiz Cláudio, o percussionista do Choro Pungado que tocou em Dindinha, a estréia da mineira.

Ceumar reconheceu-me, eu completamente diferente da última vez em que nos vimos. Eu havia ido armado com minha péssimáquina fotográfica. Deixei-a quieta num dos bolsos da mochila. A mineira ganhou um pandeirão do percussionista e já convidou-lhe para tocar, na apresentação de logo mais à noite. Sem ensaio. Tomei a liberdade de sugerir que fizessem um número, os três juntos, eles dois e Josias Sobrinho, anunciado como convidado especial da noite, compositor de quem Ceumar gravou duas músicas em sua estréia.

Ela pediu-me desculpas: o cd de Gero Camilo (sim, o ator!) – compositor também gravado pela moça de Itanhandu – que eu havia pedido para ela trazer-me, havia ficado. “Mando depois por correio”. Sem problemas. “Ah!, depois tu vai fazer uma lista dos discos que tu quer que eu te mande”, ela provocou. “Sim, vamos nos falando”.

Passei-lhe a cópia da gravação de Gildomar, explicando que ainda estava tudo cru, mas que era para ela ter uma idéia do que seria: “queremos que você participe da sétima faixa dessa gravação, uma música chamada Ladainha da remissão”. Ainda conversamos um pouco, até descermos, eu e Luiz Cláudio, já conversando sobre o show – Loopcínico – que ele apresentará no encerramento da II Semana de Música do Maranhão (domingo, 23, Largo da Madre Deus, depois digo mais). Saí sem pedir duas coisas (mais) a Ceumar: para fazer uma fotografia com ela e que ela tocasse a Oração do anjo (parceria dela com Mathilda Kóvak) no show de logo mais. Da foto, receei recusa, era antes do show, sabem como é mulher, né? A canção, sei lá... Temi ficar sem mel nem cabaça, como se dizia antigamente, já que minha noiva é avessa a tietagens, autógrafos e similares.

Uma volta pela Praia Grande antes do show começar. Eu com dois pares de ingressos: os nossos e o de um casal amigo. O produtor havia recomendado que chegássemos cedo: o espaço era pequeno e certamente alguém iria assistir ao show em pé. Não fomos nós: conseguimos uma mesa, e enquanto o show não começava, conversávamos assuntos diversos, por vezes a conversa dos homens atravessando a conversa das mulheres e vice-versa.

Vez por outra me levantava para cumprimentar conhecidos – passei cópia de gravações do Choro Pungado para Luiz Cláudio entregar a Ceumar – e, reconhecendo o garçom, de outro bar, agora trampando ali, já dei um jeito de não ter que levantar para pegar fichas durante o show.

Não demorou muito para que Mário Jorge, o produtor local, subisse ao palco e anunciasse o projeto Armazém Acústico, cujo primeiro show seria aquele de Ceumar. A idéia é fazer uma série de shows com bons artistas, em geral não holofoteados pela grande mídia. Boa!

Ceumar subiu ao palco e falou da eterna confusão: gente até hoje pensando que ela é maranhense por conta da produção de seu primeiro disco, de Zeca Baleiro, e das gravações dela para músicas do produtor e do maranhense Josias Sobrinho. “É uma honra para mim ser também maranhense”, disse. Então mandou a primeira música da noite. Coincidência ou não era Oração do anjo. Dali em diante desfilou pérolas de todos os seus discos, incluindo um gravado ao vivo, a sair em 2009, só com músicas inéditas. O seu olhar (Arnaldo Antunes e Paulo Tatit), Dindinha (Zeca Baleiro), Cantiga (Zeca Baleiro), Achou! (Dante Ozzetti e Luiz Tatit), Pecadinhos (Zeca Baleiro), São Genésio (Tata Fernandes e Gero Camilo), Boi de haxixe (Zeca Baleiro), Galope rasante (Zé Ramalho), Avesso (Ceumar e Alice Ruiz), as inéditas cujos títulos ainda não sei. Com as participações de Luiz Cláudio e Josias Sobrinho, juntos ou separados, fez várias: Maldito costume (Sinhô), Gírias do Norte (Jacinto Silva e Onildo Almeida), As “perigosa” (Josias Sobrinho), Rosa Maria (Josias Sobrinho), Bacurau Pragueiro (Josias Sobrinho).

Solícita, a cantora cumprimentou a todos os que ainda terminavam de trocar as fichas quando voltou. Autografou discos, posou para fotos com quem quis, avisou-me: “espera que tenho um negócio pra ti lá no camarim”. Se ela havia esquecido o disco de Gero, o que poderia ser? A curiosidade matou o gato, eu que não sou um, sabia que não ia morrer. Pensei, pensei e não consegui matar a charada.

Alguns minutos mais, Ceumar retorna, roupa trocada, e me presenteia com a gravação inédita de seu próximo disco. Só vou adiantar que é um belíssimo ao vivo, todo inédito em sua belíssima voz – Rubi já gravou Oração do anjo, daquele repertório. Mais, escrevo depois, quando o disco for lançado e os poucos-mas-fiéis leitores deste blogue também puderem ouvi-lo.

[*trocadilho com Maravia, música de Dilu Mello e Jairo José gravada por Ceumar em Sempreviva!]