quarta-feira, 13 de junho de 2018

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Minha música no Spotify
https://open.spotify.com/user/josiassobrinho/playlist/70ni9pqC3RInTBcwoOVb2U

 
Lista do meu repertório na interpretação de Rita Benneditto, Alcione, Tião Carvalho, Papete, Flávia Bittencourt, Ceumar, Mako, Evaldo Gouveia, Lourival Tavares, Maria Préa, Toni Soares, Márcia Castro, Claudio Lima, Pedro Araújo, Glad Azevedo, Rosa Reis e Vidal França.

terça-feira, 5 de junho de 2018

O PORQUÊ DOS PORQUÊS

PORQUE ME INSCREVI NO EDITAL SÃO JOÃO DE TODOS 2018, SE TINHA RAZÕES DE SOBRA TANTO PARA FAZÊ-LO QUANTO PARA NÃO FAZÊ-LO?

Pra começo de conversa me declaro cem por cento favorável à política de editais no uso de recursos públicos. Já estive na condição de gestor de programação nas ex Secma  e ex Func, portanto sei bem da limitação de recursos diante da enorme e fortuita diversidade de nomes, gêneros e estilos artísticos genuínos que temos em nossa manifestação cultural. Algo que nos é historicamente caro e não raro doloroso como processo, para muitos dos que nos antecederam. Tenho plena a convicção de que só com coerência, critério e credibilidade no uso desta ferramenta democrática podemos conduzir com algum equilíbrio está barca maravilhosa.
Este foi o primeiro edital da Sectur em que me inscrevi, porque estando na gestão levei em conta esta condição para me declarar impedido, assim como o fiz quando gestor na Secma não me incluindo como atração de palcos onde respondia como responsável pela montagem da programação.
Como artista, usando de prerrogativa corrente usual, me candidatei através de uma produtora de eventos que presta esse mesmo serviço a muitos outros artistas e grupos, e minha proposta obteve 91 pontos no computo geral das classificadas, quase não passo, mas passei.
Um colega chama este processo de Vestibular da Sectur. Considero esta piada apenas engraçada. Só isso.
Enfim, passei e fui programado para duas apresentações.
Não sei quais os quesitos de minha proposta não foram considerados capacitantes o suficiente para estar entre os primeiros colocados, como foi no caso do edital do CCVRD onde não fui selecionado, mas me mandaram um e-mail sugerindo que na próxima ocasião caprichasse mais nos vídeos e etc.. Bacana. Apesar de essa mesma mensagem ter sido copiada para todos os outros casos semelhantes ao meu. Mas, confesso, a quem se deu ao trabalho de ler estas linhas até aqui, não me senti nem um pouco diminuído por isto, porque acredito piamente que posso melhorar a apresentação de meu portfólio uma infinidade de vezes, não fosse assim não seria o artista que sou. Não frequento gabinetes, não faço corte, não desisto de criar. Esta é a minha condição “sine qua non”.
Como diz um sábio comunicador destas terras tupinambá: Óquêi!!! Óquêi!!!!
Das poucas contribuições que dei ao debate vigente nas bocas e nas redes, disse que estava “tentando entender a lógica de Agnaldo na programação do São João de Todos 2018”.
Não sou contrário a ideia de nomes nacionais em nossas grandes festas. Acho necessário inclusive, porque sei reconhecer os “n” motivos pelos quais nosso público é deveras limitado entre nós mesmos. Quantas pessoas de nossa grande cidade saem de casa para exclusivamente assistir a um show de Josias Sobrinho ou qualquer outro de nós onde quer que esteja se dando? Mas, o papel de qualquer gestão pública de cultura que se preze ou preze os seus cidadãos não seria o de promover, preservar e qualificar os valores culturais da sociedade a qual pertence, até a última moeda, até mesmo recorrendo aos apelos de nomes de projeção internacional, se for preciso e oportuno? Pois, pelo que tenho presenciado, apresentações nossas em outras nações e visitantes que aqui tem a oportunidade de  experimentar a exuberância de nossas criações nos tem rendido aplausos e glórias.
Atravessamos uma crise sem precedentes. Óquêi!!!! Óquêi!!!!
Não dá pra contemplar a todos indiscriminadamente. Óquêi!!! Óquêi!!!
Perguntas que não podemos calar:
Quanto vamos gastar com as contratações externas, pagas em parte adiantadas, com o restante a pagar antes da apresentação, com recolhimento obrigatório de direitos autorais? Pois se não for assim não vem ninguém. E mais, como é para governo é mais caro, porque é utilitário e como ocorre lembrar, observemos cuidadosamente as práticas de muitas das prefeituras do estado que usam e abusam desse ardil.
Não podemos limar uma parte desses nomes e convidar nossos artistas que ralam em outras cidades divulgando nossos valores e criações?
Não podemos também distribuir parte desses recursos ampliando com isso a capacidade de contratação de outros nomes locais, artistas, tambores, bandas e tudo mais, com pagamento de direitos autorais, que desde a gestão de Joãozinho Ribeiro não são respeitados?
Será que sequer podemos conversar a respeito destas e de outras questões cruciais?

Josias Sobrinho, São Luís, 05 de junho de 2018.

domingo, 18 de março de 2018

Lista YouTube Josias Sobrinho em Voz e Vídeos
https://www.youtube.com/playlist?list=PLdO_3e5CwR6Cf8Je_dzO7_8gnqlpUUmgp
Aqui lista completa do Spotify com minhas músicas, eu e meus outros interpretes, Papete, Alcione, Tião Carvalho, Flavia Bittencourt, Rita Benneditto, Glad Azevedo, Marcia Castro, Ceumar Coelho, Djalma Chaves, Pedro Araújo, Claudio Lima, Vidal França, Toni Soares, Mako Brasil, Olga Ribeiro-Ilya e Bárbara Sena, Evaldo Gouveia, Maria Preá.

https://open.spotify.com/user/josiassobrinho/playlist/2U31LSBfBKOfaxmlTuL3wj

quarta-feira, 24 de junho de 2015

PEC da cultura: financiamento e gestão

PEC da cultura: financiamento e gestão

Sem dúvida o dia 23 de junho de 2015 foi um dia chave para o financiamento à cultura no Brasil. Primeiro pela aprovação na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania da Câmara dos Deputados da admissibilidade constitucional da PEC 421/2014, também conhecida como PEC da Cultura. Segundo pelo importante debate na Comissão de Cultura na Câmara sobre o tema “As fontes de financiamento para a cultura: mecanismos atuais e possibilidades de ampliação de fontes de recursos”.
A aprovação da PEC 421/2014, texto substitutivo da deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) com relatoria do deputado Rubens Pereira Junior (PCdoB-MA), busca reativar a eterna luta da cultura pela ampliação das verbas a nível federal. Originalmente proposta como PEC 150/2003, agora aprovada na CCJC, segue em sua tramitação no Congresso.
A PEC propõe a ampliação das porcentagens nos orçamentos de cultura de forma escalonada, alterando trechos dos artigos 216-A e 98 da Constituição, e prevê a aplicação do escalonamento num prazo de três a cinco anos. A nível federal, o piso do orçamento deverá chegar a 2%, nos estados a 1,5%, e nos municípios a 1%. Atualmente a verba de cultura federal está no patamar de 0,18%.
A atual estratégia de aprovação da PEC da Cultura é para que haja um apensamento das duas PECs, pois a PEC 150 já passou por todas as comissões do Congresso nesses 10 anos, agilizando assim a tramitação e levando a proposta para a votação diretamente na Plenária da Câmara. De acordo com informações do blog do Deputado Arthur Lira (PP- AL) presidente da CCJC, além da ampliação do orçamento, a PEC prevê que esse orçamento seja destinado “30% para os municípios e 20% para os estados e o DF. Também haverá um aumento gradual até que esses números sejam atingidos: 15% para os municípios e 10% para os estados e o DF no segundo ano; e 22% para os municípios e 15,5% para os estados e o DF no terceiro ano”.
A luta de mais de 12 anos da militância cultural pelos 2% deve ganhar força nas próximas semanas com essa aprovação de hoje. Porém é necessário pensar que não basta ampliar as verbas simplesmente. Não adianta termos mais verbas e executá-las de forma desorganizada e equivocada.
Além da aprovação da PEC na CCJC, a Comissão de Cultura esteve reunida durante toda a tarde para debater o tema do financiamento à cultura.
A ampliação do orçamento de cultura requer uma melhora significativa na organização e gestão de cultura. Não adianta aumentar a verba se a gestão é ruim, continua visando o incentivo fiscal e editais com poucos projetos contemplados que pouco distribuem. É preciso focar numa gestão que vise a efetiva ampliação do acesso, não apenas no MinC, mas principalmente na gestão de secretarias estaduais e municipais de cultura.
A mudança de perspectiva em programas, fomentos, projetos e novos marcos regulatórios da cultura é chave nesse momento em que o Sistema Nacional de Cultura (SNC) começa a mostrar sua arquitetônica concretamente. É essencial aprovar ainda esse ano, além da PEC da Cultura, também o PL 6722, a lei que cria o Procultura, que visa substituir a Rouanet e a regulamentação do SNC. Acelerar a aprovação desses três marcos legais pode ajudar na melhoria da gestão de cultura, incentivando novos investimentos em formação de gestores e novas tecnologias de gestão e participação social.
A questão da gestão da cultura é primordial neste momento se queremos pensar numa mudança de paradigma. São notórios os relatos de secretarias municipais (e estaduais) em que os cargos de confiança de políticos atrapalham os processos concretos de implantação de programas de cultura. Também existem casos de conselhos de cultura compostos por notáveis, quase que vitalícios, em que não há interesse algum em democratizar as verbas de cultura. Num país do tamanho do Brasil, com o tanto de burocracia que temos e com a corrupção endêmica, isso não deve ser esquecido jamais.
Outro grande problema é o contingenciamento. Nem sempre os gestores conseguem executar os orçamentos de cultura e fazer com que essas verbas sejam de fato aplicadas em programas e projetos (as pesquisas do Observatório de Cultura de Porto Alegre mostram bem isso). Mesmo em cidades onde as verbas de cultura são minúsculas e são destinadas apenas para festas regionais, nem sempre o orçamento anual de cultura consegue chegar ao final do ano inteiramente utilizado.
A deputada Jandira Feghali salientou bem que não é apenas a aprovação da PEC no legislativo que será difícil. Para ela, outra grande dificuldade será negociar com o executivo, a equipe econômica e comissões orçamentárias federais. Em 2015, tivemos cortes orçamentários por conta da crise e a cultura chegou a 35% de corte em relação ao exercício anterior. Pode-se dizer que não houve, nos quatro anos da gestão anterior da presidenta Dilma Rousseff, um real interesse em ampliar os investimentos em cultura. Basta ver os números dos últimos 12 anos. Na primeira gestão do ministro Juca Ferreira, ainda na Era Lula, o orçamento do MinC esteve por volta de 1,4%, mas caiu vertiginosamente a partir da entrada de Ana de Hollanda e chegou a 0,18% no fim da gestão Marta Suplicy.
A transversalidade da cultura também foi bem lembrada pelo deputado Leo de Brito (PT -AC), como possibilidade de otimização de verbas por meio de programas feitos em conjunto entre pastas ministeriais. Cultura com Ministério da Educação, cultura com Ministério da Saúde, cultura com Ministério do Desenvolvimento, entre outros. Além da divisão de verbas em programas que poderiam beneficiar esferas diferentes, o que otimizaria verbas federais em um momento de crise econômica.
Outro ponto central na discussão foi a desburocratização do setor cultural. É preciso pensar em novos modelos de gestão de verbas, flexibilizando a capilaridade orçamentária para o sucesso do SNC e assim conseguir fazer os repasses fundo a fundo de forma mais simples, transparente e barata. Com isso, mais municípios conseguem verbas. A deputada Erika Kokay (PT-DF) defendeu o uso de consórcios no lugar dos convênios via Sistema de Gestão de Convênios e Contratos de Repasse do Governo Federal (Siconv). Sabemos que o modelo precisa mudar, caso contrário o ralo da corrupção levará boa parte dessas verbas da cultura.
Os debates sobre as políticas culturais que têm acontecido por todo o país mostram que a maior preocupação de gestores, prefeitos e secretários de cultura que já estão implantando seus sistemas é de onde virão os recursos do Fundo Nacional de Cultura quando o SNC estiver operando a todo vapor. Em 2015, a verba destinada a esse Fundo é de apenas R$ 100 milhões e estão previstos editais do SNC para os entes federados no início do próximo semestre. O FNC teria de forma bem geral como fonte de verbas: o BNDES, o IR, o ICMS, as loterias, o Pré-sal, fundos constitucionais, etc. Porém isso não tem funcionado como deveria, pois há um problema sério de contingenciamento e as leis existentes que deveriam garantir os repasses para o FNC não são aplicadas. Além disso, o debate retomou outro ponto relevante de que os estados também devem “botar” dinheiro no Fundo. O papel dos estados nos Fundos e na gestão junto a municípios tem sido pouco destacado neste processo de implantação do SNC. É possível dizer que nem todos estão preparados ou querem fazer parte disso.
O desafio do MinC neste momento é preocupante. Pensar uma regulamentação do SNC sem saber se a PEC da Cultura ou o Procultura serão aprovados é uma dificuldade e tanto. E a militância da cultura tem uma grande missão em 2015: ajudar a aprovar os três marcos legais da cultura (PEC, Procultura e Regulamentação do SNC) num Congresso conservador e desinteressado. A tímida presença de deputados no debate desta terça-feira mostrou que a cultura continua à margem do legislativo. Mas a turma da cultura é boa em fazer barulho e dessa vez ele será muito necessário, caso contrário, esse grande plano de democratização da cultura brasileira pode morrer na praia.

NO SÃO JOÃO 2015
26/06/2015 - Arraial da Praça de Santo Antonio - Josias Sobrinho e banda, Participação de Ronald Pinheiro, São Luís (MA)
27/06/2015 - Sindicato dos Bancários - Josias Sobrinho e banda - Sede Social, Turú, São Luís (MA)